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Autor Tópico: ACREDITE SE QUISER - Baterias em paralelo  (Lida 8420 vezes)
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Peter
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: Set, 2006


« Responder #2 em: 18 Nov 2011, 23:41 »

Faço minhas as palavras do Lucas da Silva (com sua licença)  Grin

Agradeço ao amigo Viajante o interessante artigo e posso-lhe dizer que fiquei bastante esclarecido.

Bem haja.

Cumprimentos.
Registado

António Marques
Barreiro
Lucas DaSilva
Visitante
« Responder #1 em: 17 Nov 2011, 19:52 »

Olá,

Depois de ler atentamente o excelente trabalho apresentado pelo amigo autocaravanista Viajante  posso dizer que fiquei, sem dúvida,  mais  esclarecido pelos elementos técnicos  que deixou no Fórum.

Fica o meu obrigado.
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Viajante
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: Jun, 2007


Sócio Nº 798


« em: 16 Nov 2011, 23:49 »



ACREDITE SE QUISER – Baterias em paralelo

O Manuel e o Joaquim, dois facínoras mais malandros que facadas, eram gémeos siameses que cumpriam pena de prisão perpétua em Alcatraz, acorrentados um ao outro. Um dia decidiram fugir a nado e, se bem o pensaram, logo o fizeram. Com braçadas perfeitamente sincronizadas chegaram a meio da baía, mas eis que o Manuel tem uma cãibra. Acabou logo ali a sorte do Joaquim que não teve outro remédio senão segurar o Manuel com um braço e nadar com o outro. Rapidamente esgotou as forças e assim ambos foram direitinhos para o fundo. Se não estivessem acorrentados um ao outro, quem sabe….

O mesmo se passa com as baterias amarradas uma á outra, isto é, em paralelo. Imediatamente após a colocação em serviço, as duas baterias começam logo a divergir e a velocidade com que divergem é tanto maior quanto mais uso vão tendo, mas tal não é perceptível porque é uma “guerra intestina” entre duas baterias e nenhuma delas grita ou pede socorro.
Quando uma delas fraqueja, a que está em bom estado rapidamente entra num processo de autodestruição por despejar continuamente energia para a mais fraca e que é totalmente desperdiçada. Assim, pode dizer-se que:

•   Uma bateria boa + uma bateria fraca = a duas baterias fracas.
•   Uma bateria carregada + uma bateria morta = duas baterias mortas.

A colocação de baterias em paralelo é de tal modo corrente que poderá parecer inútil esta abordagem. Saiba, no entanto, que ter baterias em paralelo é como circular sem seguro. O mais provável é que tenha sorte e nunca bata, mas também pode acontecer que não tenha. Se uma das duas baterias se vai abaixo, vai ficar sem nenhuma e sem energia e, geralmente, não há aviso prévio.
Então como fazer correctamente para aumentarmos a autonomia de energia eléctrica com recurso a duas baterias? Há três modos possíveis:

Modo automático – Recorre à tecnologia mais moderna de isolamento de baterias através de Repartidores de Carga (1) de tecnologia Mosfet (2). Todas as baterias são carregadas em simultâneo e sem que estejam interligadas, permitindo assim o uso de baterias de diferentes idades, de diferentes capacidades e de diferentes tecnologias (Ácido, GEL, AGM). Os Repartidores de Carga reconhecem automaticamente as características das baterias a que estão ligados, ajustando automaticamente a tensão de carga e carregando em primeiro lugar a bateria mais fraca. Usando um Repartidor de Carga com uma entrada e duas saídas, entre as fontes de energia e as baterias, e outro Repartidor de Carga com duas entradas e uma saída, entre as baterias e o consumo, temos as duas baterias simultaneamente em serviço (carregam e descarregam todas em simultâneo), mas sem que estejam interligadas, impedindo assim que uma bateria descarregue sobre a outra quando começam a divergir (ver fig. 1)

Este sistema (Modo automático) pode ser considerado um preciosismo. É bastante dispendioso e na minha óptica, injustificável.

Modo semiautomático – É usado um Repartidor de Carga entre as fontes de energia e as baterias, permitindo que todas as baterias sejam carregadas em simultâneo. O uso de dois Corta Corrente, permite a escolha da bateria de serviço e, por exclusão de partes, a de reserva. Estando os dois Corta Corrente ligados, as baterias ficam em paralelo na descarga, o que só deve ser feito por muito breves momentos quando se pretenda alternar as baterias, ou seja pôr a de reserva em serviço e vice versa. Convém ir alternando as baterias com certa periodicidade para provocar o envelhecimento simultâneo (ver fig. 2)

Este sistema (Modo semiautomático) é correntemente usado nos meios náuticos, mas ainda é caro.

 Modo manual – Resolve-se com o recurso a selectores electromecânicos à venda nas casas de artigos náuticos ou, melhor ainda, recorrendo aos banais Corta Corrente à venda nas casas de acessórios de automóvel. São baratos e fiáveis.

Neste modo, o autocaravanista tem que gerir tudo, mas engana-se se pensa que é muito trabalhoso. Vamos partir da situação de baterias à carga. Quando as baterias estão à carga, haja ou não consumo em simultâneo, os dois corta corrente podem estar ligados (as baterias ficam interligadas em paralelo) porque, na carga, as baterias nunca descarregam uma sobre a outra.
Concluída a carga, só um dos dois corta corrente deve ficar ligado, o da bateria de serviço. Quando a bateria de serviço estiver prestes a esgotar, ligue o corta corrente da bateria de reserva e desligue de imediato o da bateria que estava em serviço. É simples, barato e fiável. É o que eu uso.

Pôr as baterias em paralelo é como pôr todos os ovos no mesmo cesto. ACREDITE SE QUISER.


Viajante


(1) Repartidor de Carga também designado por Isolador de baterias, Repartiteur de Charge, Mosfet Battery Splitter. Não confundir com acoplador de baterias ou acoplador/separador de baterias que são sistemas baratos mas pouco fiáveis.

(2) Mosfet – Acrónimo Inglês de Metal Oxide Semiconductor Field Efect Transistor, correntemente designado por Transístor de Efeito de Campo. Um Mosfet comporta-se como se fosse um interruptor de baixas perdas e só deixa passar a corrente num sentido.
Saber mais: http://pt.wikipedia.org/wiki/MOSFET

Fabricantes:
http://www.cristec.fr/
http://www.seatronic.fr/recharge-moteur-repartiteur-c-44_117.html
http://www.sterling-power.com             
 www.buettner-elektronik.de           
 www.votronic.de
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