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Autor Tópico: A TVI e o Autocaravanismo  (Lida 835 vezes)
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« em: 28 Ago 2020, 09:27 »

A TVI e o Autocaravanismo

Não tendo sido a primeira vez que a TVI, pela voz do Dr. Miguel de Sousa Tavares, se refere ao autocaravanismo em termos menos corretos, as direções da FPA e do CPA decidiram enviar ao diretor da informação, e ao próprio, os textos que se transcrevem.

"DIREITO DE RESPOSTA

Exmo. Sr. Diretor de Informação da TVI
Dr. Anselmo Crespo

27 de agosto de 2020

Apresentou essa estação televisiva, no passado dia 24 de agosto de 2020, uma reportagem sobre o “autocaravanismo selvagem” na costa vicentina com direito a comentário do Dr. Miguel de Sousa Tavares.
Não tendo nada contra o jornalismo independente e a procura da verdade sobre qualquer assunto, a peça apresentada tem, contudo, várias incorreções e lapsos de verdade.
Devemos, em nome da verdade, afirmar que certamente os autocaravanistas portugueses não se reveem naquelas atitudes; nem tão pouco os órgãos representativos do autocaravanismo associativo.
O direito de informar, qualquer que seja o tema, não deve ser negado, nem devem existir assuntos tabu. No entanto, a bem da verdade e de uma forma séria e honesta, o jornalismo credível procurará encontrar a “outra face da moeda”, para que a sua informação seja imparcial, rigorosa e isenta. Ora não foi isso que aconteceu, e não é a primeira vez que a TVI apresenta reportagens tendenciosas e generalistas sobre o autocaravanismo. Não é pelo facto de haver alguns assaltos por dia em Portugal que se pode afirmar que o País no seu todo é violento.
Mas vamos à outra parte da questão; o que se passa na Costa Vicentina é um caso de polícia puro e duro; generalizar isso ao autocaravanismo como um todo é, no mínimo, redutor do que é o autocaravanismo, não sendo por isso sério nem honesto.
Sobre os factos citados e apresentados na reportagem: permita-nos com o devido respeito, apresentar o nosso direito de resposta e usar a palavra que o pivot do referido jornal das 20:00 horas utilizou: ABJETA.
1.   Abjeta, porque a maior parte das referidas “autocaravanas” mais não são do que veículos transformados, sem qualquer condição de habitabilidade, e usados por não AUTOCARAVANISTAS, mas por um tipo de pessoas que desmerecem esse nome.
2.   Abjeta, por mostrar a incivilidade de alguns como se isso fosse o paradigma dos autocaravanistas no seu todo, o que não é sério.
3.   Abjeta, porque um protagonista da reportagem afirma a determinado momento, mais uma vez generalizando para o autocaravanismo no seu todo, que nos países europeus nada daquilo se passaria, referindo-se ao estacionamento na via pública; somos autocaravanistas há mais de vinte anos, com milhares de quilómetros percorridos em praticamente todos os países da Europa, e podemos afirmar que em todos eles as autocaravanas podem ESTACIONAR como qualquer outro veículo.
4.   Abjeta, porque de uma maneira ínvia, se procura condicionar a livre circulação de um veículo licenciado como de classe M, consequentemente sujeito às regras impostas pelo Código da Estrada.
5.   Abjeta, porque a única frase acertada do comentador, Dr. Miguel de Sousa Tavares, com que concordamos foi, e passando a citar: “o lugar das CARAVANAS deve ser nos parques de campismo”. Não podemos estar mais de acordo; diríamos mais: o lugar das CARAVANAS (ROULOTES), veículo classe O, quando desatreladas do veículo motor, TEM de ser nos parques de campismo; a isso obriga o Código da Estrada. No entanto o Dr. Miguel de Sousa Tavares usou o termo caravana referindo-se às autocaravanas.
6.   Abjeta, porque o autor da reportagem não teve o cuidado de, como jornalista profissional, procurar toda a informação disponível de modo a apresentá-la de forma imparcial e fidedigna.
Reafirmamos: os milhares de autocaravanistas existentes neste país não se reveem naquelas atitudes e sentem-se particularmente ofendidos pela generalização apresentada reincidentemente pela TVI.
Em nome da verdade que deve imperar num jornalismo profissional, sério e independente, solicitamos, em nome dos autocaravanistas que temos o privilégio de representar, a publicação em igual horário, deste comunicado ora exposto.

Colocamo-nos, desde já, à disposição dessa estação televisiva, se assim o entenderem, para qualquer esclarecimento adicional que considerem oportuno.

O presidente da Federação Portuguesa de Autocaravanismo
Manuel Bragança
O presidente da Associação Autocaravanista de Portugal – CPA
Paulo Moz Barbosa"
_________________________________________________________

"Ex.mo Sr. Dr. Miguel de Sousa Tavares,

27 de agosto de 2020

Escrevemos-lhe na qualidade de dirigentes das duas maiores organizações associativas representativas do autocaravanismo, que em conjunto têm mais de mais de um milhar e meio de associados.
Temos acompanhado as posições que tem vindo a tomar na TVI sobre a prática ilegal de campismo na via pública, nomeadamente nos Parques Naturais deste nosso país e em particular na Costa Vicentina.
Embora o acompanhemos na crítica que faz à ausência da autoridade onde deveria estar para evitar tão triste espetáculo, permita que o corrijamos em dois pontos, para que não se confunda a árvore com a floresta:
1. Caravanismo não deve ser confundido com autocaravanismo. E também não devemos tratar caravanismo ou autocaravanismo como campismo, embora ambos o possam praticar. O campismo deve ser sempre praticado dentro de um parque de campismo e nunca na via pública, quer seja Reserva Natural ou não.
Sendo uma autocaravana um meio de praticar turismo itinerante, também o pode ser para praticar campismo.
2. Sendo uma autocaravana um veículo motorizado, possuindo todos os serviços básicos como luz, água, gás, cozinha, casa de banho completa, quarto(s) e sala de jantar, pode ser definida como um pequeno apartamento móvel.
Podemos então afirmar, como o tem vindo a fazer, que o lugar de uma caravana (e aqui estava com toda a certeza a referir-se a uma autocaravana) é num parque de campismo?
Decididamente não podemos concordar.
Em toda a Europa qualquer autocaravana, sendo um veículo pesado (acima dos 3 500 kg) ou ligeiro (até 3 500 kg), tem os mesmos direitos, concedidos pelos respetivos códigos da estrada, que os outros veículos da mesma classe. Por isso é-lhes permitido estar onde não seja proibido o estacionamento, com ou sem ocupantes, como muito bem é reconhecido pelo Governo, pela GNR, pela Autoridade Nacional da Segurança Rodoviária e até pela Federação de Campismo e Montanhismo de Portugal.

Colocamo-nos, desde já, à sua disposição, se assim o entender, para qualquer esclarecimento adicional que considere oportuno.

O presidente da Federação Portuguesa de Autocaravanismo
Manuel Bragança
O presidente da Associação Autocaravanista de Portugal – CPA
Paulo Moz Barbosa"

a direção
« Última modificação: 28 Ago 2020, 09:29 por infoCPA » Registado

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